sábado, 5 de julho de 2014

http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/138/materia/422925/t/suplente-de-wellington-e-doutor-em-filosofia

sexta-feira, 25 de abril de 2014

ENTREVISTA DA SEMANA / TERRA SANTA Professor relata ida de missão brasileira à Palestina Clique para ampliar Manoel Motta, cientista social, filósofo e educador, integrou a delegação que foi prestar solidariedade à luta dos palestinos contra a opressão israelense no Oriente Médio Por João Negrão Da Reportagem DF Na semana passada, uma Missão de Solidariedade composta por brasileiros professores, sindicalistas e jornalistas, desembarcou na Cisjordânia, um dos dois territórios da Palestina, ocupados pelo estado de Israel. Um dos participantes da missão é Manoel Francisco de Vasconcelos Motta, professor de Filosofia da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), doutor em Filosofia da Educação, que representou a Federação Nacional dos Professores das Universidades Federais do Brasil (Pró-IFES). Nesta entrevista exclusiva ao portal Brasil Notícia, Manoel Motta fala sobre suas impressões da viagem: Brasil Notícia– Professor, fale sobre a missão e sobre sua impressão ao chegar à Cisjordânia? Como está a situação hoje dos palestinos, depois de 66 anos de dominação de Israel, tantas guerras e toda a opressão que sofreu e, imagino, ainda sofre aquele povo? Manoel Motta – Fomos em uma missão de apoio à Autoridade Palestina, em razão de que ela está em processo de articulações de apoios internacionais para consolidar a organização do estado palestino. É bom lembrar que a Palestina vive hoje ocupada pelo exército de Israel, que tem uma política de assentamentos no território palestino e esses assentamentos têm investimento muito grande por parte do estado de Israel e também um apoio bélico muito grande por parte do exército à produção nesses territórios. Neste sentido, o que está acontecendo lá na Palestina é uma situação de ocupação militar por parte de Israel. Brasil Notícia– Vocês estiveram só na Cisjordânia ou foram também à Gaza? Manoel Motta- Nós não estivemos na Faixa de Gaza. Nós fomos só na Cisjordânia, em Ramallah, em Jericó e em Jerusalém. Foi uma missão onde a gente, além de visitar os governadores dessas cidades, e fomos também recebidos pelos ministros do Interior, das Relações Exteriores, do Esporte e da Saúde da Autoridade Palestina, e pelo comando da força pública Palestina, inclusive recebido para um almoço com o Comando da Autoridade Militar da Palestina. Participamos também de uma visita a uma das comunidades brasileiras na Palestina. Existem colônias de brasileiros palestinos lá. Visitamos também a Fundação Yasser Arafat e lá depositamos uma coroa de flores no túmulo dele. Foi uma viagem bastante intensa e de uma importância política muito interessante, que deu uma visão do que está acontecendo na Palestina, o praticamente a mídia brasileira não mostra e só conta o que estado de Israel divulga. Foi interessante ver de perto, conviver com todas as situações vividas pelos palestinos, que não são só as dificuldades, mas com as conquistas que Autoridades Palestina está realizando, apesar da ocupação. Um dado interessante que observamos nesta visita é o fato de que há um processo de institucionalização do aparelho de estado da Autoridade Palestina. Você vê as instituições funcionando em quase todas as áreas, de saúde, na economia, de segurança... Você vê que há um processo de institucionalização e agora a crise mais recente foi exatamente porque Israel mais uma vez não cumpriu o compromisso de conter os assentamentos ilegais e a retaliação do estado palestino foi solicitar a entrada em organismos internacionais. Então, vamos dizer assim, a política, principalmente a do Fatah [principal partido da OLP (Organização de Libertação da Palestina) que dirige a Autoridade Palestina] é de resistência pacífica e de institucionalizar cada vez mais o aparelho do estado Palestino. Brasil Notícia - Como está a situação do povo hoje? Manoel Motta - Eu fiquei muito surpreso, porque mesmo com todas as dificuldades da ocupação do território, que gera uma resistência muito grande por parte do Fatah, há uma perceptível mudança no quadro econômico. Você vê que há um certo tom desenvolvimentista, uma dinâmica empreendedorista muito grande. Eu acho que a paz permitiu muito disso, apesar de todas as dificuldades há uma certa dinâmica da economia local. Por exemplo, 80% da água - e isso numa região árida é uma questão estratégica - que está em solo palestino é controlada por Israel. A Autoridade palestina gerencia apenas 20% da água que está sendo utilizada para a agricultura... Brasil Notícia - E o problema dos assentamentos de judeus, continua? Manoel Motta - Este é talvez o problema mais grave, porque Israel tem insistido na consolidação dos assentamentos dentro do território palestino, investindo inclusive bastante na construção de casas e projetos de agricultura irrigada e os assentamentos hoje têm uma produção bastante razoável. Hoje uma das grandes lutas, e que a comunidade internacional apoia esta luta palestina, é o boicote aos produtos produzidos pelos assentamentos israelenses na Palestina ocupada. Brasil Notícia – Mesmo não visitando Gaza deu para sentir de lá da Cisjordânia a situação em Gaza? Manoel Motta - Em Gaza a situação é muito grave, muito séria. Fala-se inclusive que o cerco Israelense a Gaza é de uma crueldade que lembra os campos de concentração do nazismo. Fala-se em um processo inclusive de genocídio mais ou menos programado, porque todas as rotas de abastecimentos, de ajuda internacional, tudo isso tem sido impedida de chegar à população de gaza. Brasil Notícia - Por causa do Hamas [partido radical que dirige a resistência na Faixa de Gaza]? Manoel Motta - Não é só por causa do Hamas, até porque o Hamas também hoje está próximo dessa política de paz do Fatah. A grande, vamos dizer assim, organização política hoje que tem maior peso lá é o Fatah. O Hamas ainda tem maior peso político na Faixa de Gaza, mas é uma luta, vamos dizer assim, estratégica do estado de Israel de isolar a Faixa de Gaza. Um modo de fazer com que esses territórios se dobrem à política de Israel e a população vai sendo vencida por essa política de garroteamento da economia, vamos dizer assim, da possibilidade de apoio internacional. Mas o próprio Hamas já não está mais empenhado no confronto armado. Há uma certa consciência, um certo sentimento, de que a resistência armada se torna cada dia mais difícil, principalmente a crise na Síria, com o fechamento de alguns assentamentos na Jordânia e alguns apoios que os palestinos perderam, principalmente o Hamas, de alguns estados árabes, de fornecimento de armamento, de munição e logística mesmo militar. Isso fortaleceu o Fatah, que hoje discute uma saída política para a consolidação e o fortalecimento da Autoridade Palestina.